{"id":274,"date":"2007-03-19T01:31:00","date_gmt":"2007-03-19T01:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/2007\/03\/19\/a-todas-as-pessoas-sensiveis-que-ainda-acreditam-em-um-mundo-melhor\/"},"modified":"2007-03-19T01:31:00","modified_gmt":"2007-03-19T01:31:00","slug":"a-todas-as-pessoas-sensiveis-que-ainda-acreditam-em-um-mundo-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/2007\/03\/19\/a-todas-as-pessoas-sensiveis-que-ainda-acreditam-em-um-mundo-melhor\/","title":{"rendered":"A TODAS AS PESSOAS SENS\u00cdVEIS QUE AINDA ACREDITAM EM UM MUNDO MELHOR."},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><span style=\"font-size:130%;\">&#8211; A disputa pela posse da terra entre \u00edndios e brancos nos Estados Unidos ,  a pouco mais de um s\u00e9culo, gerou um dos mais incisivos e belos documentos em defesa da preserva\u00e7\u00e3o da vida de que se tem not\u00edcia. \u00c9 uma carta escrita pelo \u00edndio Seattle, cacique da tribo Duwamish, ao ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos, Franklin Pierce, em 1855.<br \/>&#8211; A carta permanece como um alerta para os que comandam o destino do planeta, onde muitos pa\u00edses continuam agindo como os b\u00e1rbaros da antiguidade. Por onde passam s\u00f3 deixam o rastro da morte, da mis\u00e9ria, da dor e da devasta\u00e7\u00e3o do planeta em nome do consumismo capitalista. A carta \u00e9 uma profecia para o triste futuro que nos aguarda se n\u00e3o modificarmos a nossa maneira de aigr e pensar com sabedoria.<br \/>&#8211; Al\u00e9m do mais, a esperan\u00e7a a cada ano se dilui com o capitalismo predador materialista dos que sugam as energias do nosso mundo para manter e impor o modelo de vida dos pa\u00edses ricos e com um grande n\u00famero de exclu\u00eddos.<br \/>&#8211; Ou mudam a conduta dissonante com os princ\u00edpios do Grande Arquiteto do Universo, ou ser\u00e1 o fim da breve hist\u00f3ria dos humanos no planeta Terra.<\/span><\/div>\n<div align=\"justify\"><span style=\"font-size:130%;\">&#8211; Vamos \u00e0 carta:<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: bold;font-size:130%;\" >-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><strong><\/strong><span style=\"color: rgb(0, 153, 0);\"><strong>&#8220;O Grande Chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar a nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos tamb\u00e9m de sua amizade e benevol\u00eancia. Isso \u00e9 gentil de sua parte, pois sabemos que ele n\u00e3o precisa da nossa amizade. Vamos, por\u00e9m pensar em sua oferta, pois sabemos que, se n\u00e3o o fizermos, o homem branco vir\u00e1 com armas e tomar\u00e1 a nossa terra.<br \/>&#8211; O Grande Chefe de Washington pode confiar no que o Chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irm\u00e3os brancos podem confiar na altera\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es do ano. Minha palavra \u00e9 como as estrelas \u2013 elas n\u00e3o empalidecem.<br \/>&#8211; Como podes comprar ou vender o c\u00e9u, o calor da terra? Tal id\u00e9ia \u00e9-nos estranha. Se n\u00e3o somos donos da pureza do ar ou do resplendor da \u00e1gua, como ent\u00e3o podes compr\u00e1-los? Cada torr\u00e3o desta terra \u00e9 sagrado para meu povo. Cada folha reluzente de pinheiro, cada praia arenosa, cada v\u00e9u de neblina na floresta escura, cada clareira e inseto a zumbir s\u00e3o sagrados nas tradi\u00e7\u00f5es e na consci\u00eancia do meu povo. A seiva que circula nas \u00e1rvores carrega consigo as recorda\u00e7\u00f5es do homem vermelho.<br \/>&#8211; O homem branco esquece a sua terra natal, quando, depois de morto, vai vagar por entre as estrelas. Os nossos mortos nunca esquecem esta formosa terra, pois ela \u00e9 a m\u00e3e do homem vermelho. Somos parte da terra e ela \u00e9 parte de n\u00f3s. As flores perfumadas s\u00e3o nossas irm\u00e3s; o cervo, a grande \u00e1guia\u2026 s\u00e3o nossos irm\u00e3os. As cristas rochosas, os sumos das campinas, o calor que emana do corpo de um mustang e o homem \u2013 todos pertencem \u00e0 mesma fam\u00edlia.<br \/>&#8211; Portanto, quando o Grande Chefe de Washington manda dizer que deseja comprar a nossa terra, ele exige muito de n\u00f3s. O Grande Chefe manda dizer que ir\u00e1 preservar para n\u00f3s um lugar em que possamos viver confortavelmente. Ele ser\u00e1 nosso pai e n\u00f3s seremos seus filhos. Portanto vamos considerar a tua oferta de comprar a nossa terra. Mas n\u00e3o vai ser f\u00e1cil, n\u00e3o. Porque esta terra \u00e9 para n\u00f3s sagrada.<br \/>&#8211; Essa \u00e1gua brilhante que corre nos rios e regatos n\u00e3o \u00e9 apenas \u00e1gua, mas sim o sangue de nossos ancestrais. Se te vendermos a terra, ter\u00e1s de te lembrar que ela \u00e9 sagrada e ter\u00e1s que ensinar a teus filhos que \u00e9 sagrada e que cada reflexo na \u00e1gua l\u00edmpida dos lagos conta os eventos e as recorda\u00e7\u00f5es da vida de meu povo. O rumor da \u00e1gua \u00e9 a voz do pai de meu pai. Os rios s\u00e3o irm\u00e3os, eles aplacam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossos filhos. Se te vendermos nossa terra ter\u00e1s de te lembrar e ensinar a teus filhos que os rios s\u00e3o irm\u00e3os nossos e teus, e ter\u00e1s de dispensar aos rios a afabilidade que darias a um irm\u00e3o.<br \/>&#8211; Sabemos que o homem branco n\u00e3o compreende o nosso modo de viver. Para ele um lote de terra \u00e9 igual a outro, porque ele \u00e9 um forasteiro que chega na calada da noite e tira da terra tudo do que necessita. A terra n\u00e3o \u00e9 sua irm\u00e3, mas sim sua inimiga, e depois de a conquistar, ele vai embora.<br \/>&#8211; Deixa para tr\u00e1s os t\u00famulos de seus antepassados e n\u00e3o se importa. Arrebata a terra das m\u00e3os de seus filhos e n\u00e3o se importa. Ficam esquecida a sepultura de seu pai e o direito de seus filhos \u00e0 heran\u00e7a.<br \/>&#8211; Ele trata sua m\u00e3e, a terra, e seu irm\u00e3o, o c\u00e9u, como coisas que podem ser compradas, saqueadas, vendidas como ovelhas ou mi\u00e7angas cintilantes. Sua voracidade arruinar\u00e1 a terra, deixando para tr\u00e1s apenas um deserto. N\u00e3o sei. Nossos modos diferem dos teus.<br \/>&#8211; A vista de tuas cidades causa tormento aos olhos do homem vermelho. Mas talvez isso seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que de nada entende. N\u00e3o h\u00e1 um sequer lugar calmo nas cidades do homem branco. N\u00e3o h\u00e1 lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas de um inseto.<br \/>&#8211; Mas talvez assim seja por ser eu um selvagem que nada compreende. O barulho parece apenas insultar os ouvidos. E que vida \u00e9 aquela se um homem n\u00e3o pode ouvir a voz solit\u00e1ria do curiango ou, de noite, a conversa dos sapos em volta de um brejo? Sou um homem vermelho e nada compreendo. O \u00edndio prefere o suave sussurro do vento a sobrevoar a superf\u00edcie de uma lagoa e o cheiro do pr\u00f3prio vento, purificado por uma chuva do meio-dia, ou recendendo a pinheiros.<br \/>&#8211; O ar \u00e9 precioso para o homem vermelho, porque todas as criaturas respiram em comum; os animais, as \u00e1rvores, o homem. O homem branco parece n\u00e3o perceber o ar que respira, ele \u00e9 insens\u00edvel ao ar f\u00e9tido.<br \/>&#8211; Mas se te vendermos nossa terra ter\u00e1s de te lembrar que o ar \u00e9 precioso para n\u00f3s, que o ar reparte seu esp\u00edrito com toda a vida que ele sustenta. O ar que deu ao nosso bisav\u00f4 o seu primeiro sopro de vida, tamb\u00e9m recebe o seu ultimo suspiro. E, se te vendermos a nossa terra, dever\u00e1s mant\u00ea-la reservada, feita santu\u00e1rio, como um lugar em que o pr\u00f3prio homem branco possa ir saborear o vento, ado\u00e7ado com a fragr\u00e2ncia das flores campestres.<br \/>&#8211; Assim, pois, vamos considerar tua oferta para comprar a nossa terra. Se decidirmos aceitar, farei uma condi\u00e7\u00e3o. O homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irm\u00e3os. Sou um selvagem e desconhe\u00e7o que possa ser de outro jeito. Tenho visto milhares de bis\u00f5es apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem em movimento.<br \/>&#8211; Sou selvagem e n\u00e3o compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais importante do que o bis\u00e3o. N\u00f3s, os \u00edndios, matamos apenas para sustentar as nossas pr\u00f3prias vidas.<br \/>&#8211; O que \u00e9 o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solid\u00e3o de esp\u00edrito, porque tudo quanto acontece aos animais logo acontece ao homem. Tudo est\u00e1 relacionado entre si. Tudo que fere a terra fere tamb\u00e9m os filhos da terra.<br \/>&#8211; Deves ensinar a teus filhos que o ch\u00e3o debaixo de seus p\u00e9s s\u00e3o as cinzas de nossos antepassados. Para que tenham respeito ao pa\u00eds, conta a teus filhos que a riqueza da terra s\u00e3o as vidas da parentela nossa. Ensina a teus filhos o que temos ensinado aos nossos: que a terra \u00e9 nossa m\u00e3e. Tudo quanto fere a terra fere os filhos da terra. Se os homens cospem no ch\u00e3o, cospem sobre eles pr\u00f3prios.<br \/>&#8211; De uma coisa sabemos. A terra n\u00e3o pertence ao homem; \u00e9 o homem que pertence a terra. Disso temos certeza Todas \u00e0s coisas est\u00e3o interligadas, como o sangue une uma fam\u00edlia. Tudo est\u00e1 relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra agride os filhos da terra. N\u00e3o foi o homem que teceu a trama da vida, ele \u00e9 meramente um fio da mesma. Tudo que ele fizer \u00e0 trama, a si pr\u00f3prio far\u00e1.<br \/>&#8211; Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam muito tempo em \u00f3cio, envenenando seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. N\u00e3o tem grande import\u00e2ncia onde passaremos os nossos \u00faltimos dias, eles n\u00e3o s\u00e3o muitos. Mais algumas horas, at\u00e9 mesmo uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que vivem nesta terra ou que t\u00eam vagueado em pequenos bandos pelos bosques sobrar\u00e1 para chorar sobre os t\u00famulos de um povo que um dia foi t\u00e3o poderoso e cheio de confian\u00e7a como o nosso.<br \/>&#8211; De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez um dia venha a descobrir. O nosso Deus \u00e9 o mesmo Deus. Julgas, talvez, que podes possuir da mesma maneira como desejas possuir a nossa terra. Mas n\u00e3o podes. Ele \u00e9 Deus da humanidade inteira. E quer bem igualmente ao homem vermelho como ao branco. A terra \u00e9 amada por Ele. E causar dano \u00e0 terra \u00e9 demonstrar desprezo ao seu Criador.<br \/>&#8211; O homem branco tamb\u00e9m vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras ra\u00e7as. Continua poluindo a tua cama, e h\u00e1s de morrer uma noite, sufocado nos teus pr\u00f3prios dejetos.<br \/>&#8211; Depois de abatido o \u00faltimo bis\u00e3o e domado todos os cavalos silvestres, quando as matas misteriosas federem a gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios faladores (telefones) \u2013 onde ficar\u00e3o ent\u00e3o os sert\u00f5es? Ter\u00e3o acabado. E as \u00e1guas? Ter\u00e3o ido embora. Restar\u00e1 dar adeus \u00e0 andorinha da torre e \u00e0 ca\u00e7a, o fim da vida e o come\u00e7o da luta para sobreviver.<br \/>&#8211; Talvez compreender\u00edamos se conhec\u00eassemos com que sonha o homem branco. Se soub\u00e9ssemos quais as esperan\u00e7as que transmite aos seus filhos nas longas noites de inverno. Qual vis\u00e3o do futuro oferece \u00e0s suas mentes para que possam formar desejos para o dia de amanh\u00e3. Somos, por\u00e9m, selvagens. Os sonhos do homem branco s\u00e3o ocultos para n\u00f3s, e por serem ocultos temos de escolher o nosso pr\u00f3prio caminho.<br \/>&#8211; Se consentirmos, ser\u00e1 para garantir as reservas que nos prometestes. L\u00e1 talvez possamos viver os nossos \u00faltimos dias conforme desejamos. Depois que o \u00faltimo \u00edndio tiver partido e sua lembran\u00e7a n\u00e3o passar de sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuar\u00e1 vivendo nessas florestas e praias porque n\u00f3s as amamos, como o rec\u00e9m-nascido ama o bater do cora\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e.<br \/>&#8211; Se te vendermos a nossa terra, ama-a como n\u00f3s a am\u00e1vamos , protege-a como n\u00f3s a proteg\u00edamos. Nunca te esque\u00e7a como era essa terra quando dela tomar posse. E com toda a tua for\u00e7a e teu poder e todo teu cora\u00e7\u00e3o, conserva-a para teus filhos e ama-a como Deus ama a todos. De uma coisa sabemos: O nosso Deus \u00e9 o mesmo Deus, essa terra \u00e9 por ele amado e nem o homem branco pode evitar esse nosso grande destino comum\u201d.<\/strong><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; A disputa pela posse da terra entre \u00edndios e brancos nos Estados Unidos , a pouco mais de um s\u00e9culo, gerou um dos mais incisivos e belos documentos em defesa da preserva\u00e7\u00e3o da vida de que se tem not\u00edcia. &hellip; <a href=\"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/2007\/03\/19\/a-todas-as-pessoas-sensiveis-que-ainda-acreditam-em-um-mundo-melhor\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1030,210,1031,1032,1029,1026,232,1027,1033,1028,1034],"tags":[],"class_list":["post-274","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aguia","category-capitalismo","category-carta","category-estados-unidos","category-estrelas","category-indio","category-predador","category-sagrado","category-seattle","category-selvagem","category-trama"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}