{"id":260,"date":"2007-08-22T23:12:00","date_gmt":"2007-08-22T23:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/2007\/08\/22\/os-ricos-pobres-marta-medeiros\/"},"modified":"2007-08-22T23:12:00","modified_gmt":"2007-08-22T23:12:00","slug":"os-ricos-pobres-marta-medeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/2007\/08\/22\/os-ricos-pobres-marta-medeiros\/","title":{"rendered":"OS RICOS POBRES (Marta Medeiros)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt; line-height: 150%; color: black; font-weight: normal;\">&#8211; O texto abaixo pertence \u00e0 jornalista e escritora ga\u00facha Marta Medeiros. Achei bastante interessante a maneira como ela exp\u00f5em a realidade social com a qual convivemos diariamente, expondo de maneira inteligente e usando de uma linguagem simples, por\u00e9m muito convincente, as agruras que passamos na nossa sociedade. <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt; line-height: 150%; color: black; font-weight: normal;\">&#8211; Do texto podemos fazer uma bela reflex\u00e3o e tirarmos li\u00e7\u00f5es para reconceituar alguns paradigmas. Vale a pena dar uma lida! <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%;\"><strong><span style=\"font-size: 14pt; line-height: 150%; color: black; font-weight: normal;\"> <\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center; line-height: 150%;\" align=\"center\"><strong><span style=\"font-size: 14pt; line-height: 150%; color: blue; font-weight: normal;\">OS RICOS-POBRES<\/span><\/strong><span style=\"font-size: 14pt; line-height: 150%; color: blue;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0pt 0pt 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 14pt; line-height: 150%; color: blue;\">Anos atr\u00e1s escrevi sobre um apresentador de televis\u00e3o que ganhava um milh\u00e3o de reais por m\u00eas e que em entrevista vangloriava-se de nunca ter lido um livro na vida. Classifiquei-o imediatamente como uma pessoa pobre.<br \/>Agora leio uma declara\u00e7\u00e3o do publicit\u00e1rio Washington Olivetto em que ele fala sobre isso de forma exemplar. Ele diz que h\u00e1 no mundo os ricos-ricos (que t\u00eam dinheiro e t\u00eam cultura), os pobres-ricos (que n\u00e3o t\u00eam dinheiro, mas s\u00e3o agitadores intelectuais, possuem antenas que captam boas e novas id\u00e9ias) e os ricos-pobres, que s\u00e3o a pior esp\u00e9cie: t\u00eam dinheiro, mas n\u00e3o gastam um \u00fanico tost\u00e3o da sua fortuna em livrarias, museus ou galerias de arte, apenas torram em futilidades e propagam a ignor\u00e2ncia e a grosseria.<br \/>Os ricos-ricos movimentam a economia gastando em cultura, educa\u00e7\u00e3o e viagens, e com isso propagam o que conhecem e divulgam bons h\u00e1bitos. Os pobres-ricos n\u00e3o t\u00eam saldo invej\u00e1vel no banco, mas s\u00e3o criativos, efervescentes, abertos. A riqueza destes dois grupos est\u00e1 na qualidade da informa\u00e7\u00e3o que possuem, na sua curiosidade, na intelig\u00eancia que cultivam e passam adiante. S\u00e3o estes dois grupos que fazem com que uma na\u00e7\u00e3o se desenvolva. Infelizmente, s\u00e3o os dois grupos menos representativos da sociedade brasileira. O que temos aqui, em maior n\u00famero, \u00e9 o grupo que Olivetto n\u00e3o mencionou, os pobres-pobres, que devido ao baix\u00edssimo poder aquisitivo e quase inexistente acesso \u00e0 cultura, infelizmente n\u00e3o ganham, n\u00e3o gastam, n\u00e3o aprendem e n\u00e3o ensinam: ficam \u00e0 margem, feito zumbis.<br \/>E temos os ricos-pobres, que t\u00eam o bolso cheio e poderiam ajudar a fazer deste pa\u00eds um lugar que mere\u00e7a ser chamado de civilizado, mas que nada: eles s\u00f3 propagam atraso, s\u00f3 propagam arrog\u00e2ncia, s\u00f3 propagam sua pobreza de esp\u00edrito.<br \/>Exemplos?<br \/>Vou come\u00e7ar por uma cena que testemunhei semana passada. Estava dirigindo quando o sinal fechou. Parei atr\u00e1s de um Audi preto do ano. Carr\u00e3o. Dentro, um sujeito de terno e gravata que, cheio de si, n\u00e3o teve d\u00favida: abriu o vidro autom\u00e1tico, amassou uma embalagem de cigarro vazia e a jogou pela janela no meio da rua, como se o asfalto fosse uma lixeira p\u00fablica.<br \/>O Audi \u00e9 s\u00f3 um disfarce que ele p\u00f4de comprar, no fundo \u00e9 um pobret\u00e3o que s\u00f3 tem a oferecer sua mis\u00e9ria existencial. Os ricos-pobres n\u00e3o t\u00eam verniz, n\u00e3o t\u00eam sensibilidade, n\u00e3o t\u00eam alcance para ir al\u00e9m do \u00f3bvio. S\u00f3 tem dinheiro. Os ricos-pobres pedem no restaurante o vinho mais caro e tratam o gar\u00e7om com desd\u00e9m, vestem-se de Prada e sentam com as pernas abertas, viajam para Paris e n\u00e3o sabem quem foi Degas ou Monet, possuem tev\u00eas de plasma em todos os aposentos da casa e s\u00f3 assistem a programas de audit\u00f3rio, mandam o filho pra Disney e nunca foram a uma reuni\u00e3o da escola. E, claro, dirigem um Audi e jogam lixo pela janela. Uma esmolinha pra eles, pelo amor de Deus.<br \/>O Brasil tem sa\u00edda se deixar de ser preconceituoso com os rico-ricos (que ganham dinheiro honestamente e sabem que ele serve n\u00e3o s\u00f3 para proporcionar conforto, mas tamb\u00e9m para promover o conhecimento) e se valorizar os pobres-ricos, que s\u00e3o aqueles in\u00fameros indiv\u00edduos que fazem malabarismo para sobreviver, mas, por outro lado, s\u00e3o interessados em teatro, m\u00fasica, cinema, literatura, moda, esportes, gastronomia, tecnologia e, principalmente, interessados nos outros seres humanos, fazendo da sua cidade um lugar desafiante e empolgante.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0pt 0pt 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 14pt; line-height: 150%; color: blue;\">\u00c9 este o luxo de que precisamos, porque <strong>luxo \u00e9 ter recursos para melhorar o mundo que nos coube, e recurso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 money: \u00e9 atitude e informa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p> <strong><span style=\"font-size: 14pt; line-height: 150%; color: blue;\">Marta Medeiros<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; O texto abaixo pertence \u00e0 jornalista e escritora ga\u00facha Marta Medeiros. 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