{"id":248,"date":"2007-11-08T14:25:00","date_gmt":"2007-11-08T14:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/2007\/11\/08\/ou-mudamos-ou-nao-teremos-o-amanha\/"},"modified":"2007-11-08T14:25:00","modified_gmt":"2007-11-08T14:25:00","slug":"ou-mudamos-ou-nao-teremos-o-amanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/2007\/11\/08\/ou-mudamos-ou-nao-teremos-o-amanha\/","title":{"rendered":"OU MUDAMOS OU N\u00c3O TEREMOS O AMANH\u00c3"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 153);\"><b><span style=\"line-height: 150%;\">&#8211; Sempre tive uma admira\u00e7\u00e3o pelo Professor Lutzemberger j\u00e1 nos anos 60. Eu era ainda adolescente e cultivava uma admira\u00e7\u00e3o por esse Cidad\u00e3o do Mundo. Cheguei a apertar a sua m\u00e3o e a sua figura enigm\u00e1tica, apesar dos anos, ainda baila na minha mente como se fosse hoje.<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 153);\"><b><span style=\"line-height: 150%;\">&#8211; Lutzemberger, quando ainda vivia em nosso meio, profeticamente j\u00e1 alertava sobre a crise que ora se avizinha, provocada pelo capitalismo desvairado que em minha opini\u00e3o ora trilha pelo caminho da esquerda, ora pelo da direita e n\u00e3o consegue encontrar o caminho do meio. <o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 153);\"><b><span style=\"line-height: 150%;\">&#8211; O resultado \u00e9 o que estamos vendo: as virtudes est\u00e3o sendo estra\u00e7alhadas, o consumismo exacerbante que ajuda no desequil\u00edbrio planet\u00e1rio est\u00e1 provocando a exclus\u00f5es de milhares, guerras regionais orquestradas pelos dominadores da nova era e o afastamento dos princ\u00edpios morais. At\u00e9 j\u00e1 transformaram Deus em uma fonte de alto lucro para os oportunistas que aprimoraram as suas t\u00e9cnicas subliminares com a tecnologia moderna aplicada no povo ignaro e sem criticidade. <o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 153);\"><b><span style=\"line-height: 150%;\">&#8211; Os homens e mulheres do governo oculto n\u00e3o conseguem enxergar ou n\u00e3o querem enxergar que s\u00e3o apenas um pequeno elo dentro do plano c\u00f3smico. Todos s\u00e3o dependentes das leis que regem o Universo e tudo tem que estar em sincronia e em permanente evolu\u00e7\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 153);\"><b><span style=\"line-height: 150%;\">&#8211; O caminho do meio seria a solu\u00e7\u00e3o para o verdadeiro equil\u00edbrio racional de toda a humanidade. Se a humanidade n\u00e3o trilhar esse caminho a pequena odiss\u00e9ia humana no planeta Terra (Gaia) estar\u00e1 fadada a extin\u00e7\u00e3o.<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%; color: rgb(51, 51, 153);\"><b><span style=\"line-height: 150%;\">&#8211; Vamos aguardar as respostas daqueles que verdadeiramente governam a nossa pequena moradia perdida na imensid\u00e3o do universo escuro. Particularmente acredito que as respostas desse grupo ser\u00e3o vazias, pois o seu interior pertencem a outros que se deleitam com o atual ciclo vibracional deste orbe planet\u00e1rio.<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; line-height: 150%;\"><b><span style=\"line-height: 150%;\"><span style=\"color: rgb(51, 51, 153);\">&#8211; Sendo assim, espero que a leitura do texto do professor Lutzemberger, escrito em 1996, possa lhe ajudar em melhorar ou extirpar alguns paradigmas e enxergar um pouco mais longe. Olhar nas bordas das coisas, ali \u00e9 que est\u00e3o muitas respostas e entre estas respostas est\u00e1 a<\/span> <a href=\"http:\/\/www.redebrasileiradetransdisciplinaridade.net\/\">transdisciplinaridade para a educa\u00e7\u00e3o<\/a>.<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center; text-indent: 35.4pt; color: rgb(153, 51, 153);\" align=\"center\"><span style=\"font-size:130%;\"><b><span style=\"\">TEMOS OU N\u00c3O FUTURO?<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Gosto de imaginar que, ap\u00f3s a minha morte, de vez em quando eu possa voltar, como observador apenas, aos lugares onde vivi. A primeira vez seria por volta do ano 2050. Depois, cem anos mais tarde, duzentos, quinhentos. Mais adiante cada mil, dois mil, dez mil, cinq\u00fcenta mil, cem mil, meio milh\u00e3o, um milh\u00e3o. Enfim, a cada cinq\u00fcenta ou cem milh\u00f5es de anos, at\u00e9 o fim da evolu\u00e7\u00e3o de nosso sistema solar, daqui a uns 5 bilh\u00f5es de anos, com certa flexibilidade nos per\u00edodos para poder observar os momentos de grande crise na hist\u00f3ria da Vida, como a que estamos vivendo.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Isto porque, desde muito jovem, como naturalista que sempre fui, quando observo o mundo vivo, a geologia, o firmamento, quando me debru\u00e7o sobre livros de astronomia, de cosmologia, a escala de tempo em que gosto de raciocinar \u00e9 a escala de tempo que rege este maravilhoso processo criativo que caracteriza nosso planeta e o distingue dos demais que conhecemos &#8211; o grandioso, o indescritivelmente belo, complexo e vasto panorama da Sinfonia da Evolu\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Mas ent\u00e3o, por que n\u00e3o come\u00e7ar com a primeira visita daqui a um milh\u00e3o ou v\u00e1rios milh\u00f5es de anos? Acontece que, apesar de naturalista, ou exatamente por isso, nunca perdi a f\u00e9 em nossa esp\u00e9cie. Ela tamb\u00e9m \u00e9 fruto deste maravilhoso processo, que n\u00e3o pode ser suicida. Somos ainda muito novos, apenas uns dois milh\u00f5es de anos, e n\u00e3o temos as limita\u00e7\u00f5es que tinham os grandes s\u00e1urios. Podemos aprender. Depois que eles se foram, uns oitenta milh\u00f5es de anos faz, apareceu na orquestra um novo instrumento, a coisa mais sofisticada, mais poderosa que a Vida j\u00e1 produziu &#8211; o c\u00e9rebro humano. Suas potencialidades s\u00e3o praticamente ilimitadas. Ele poderia ser um enriquecimento fant\u00e1stico, mas hoje perdeu o devido tom, amea\u00e7a desintegrar a sinfonia.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >\u00c9 por acreditar nas possibilidades positivas deste instrumento que gostaria de come\u00e7ar em escala de tempo humana, que \u00e9 a de dezenas, centenas e milhares de anos. Se conseguirmos sobreviver mais mil mil\u00eanios, um milh\u00e3o de anos, j\u00e1 seremos outra esp\u00e9cie.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >At\u00e9 o ano 2050, ou seja, durante a vida de crian\u00e7as e jovens de hoje, ter\u00e3o acontecido invers\u00f5es fundamentais e irrevers\u00edveis nas tend\u00eancias atuais. Ningu\u00e9m \u00e9 e ningu\u00e9m pode ser profeta, mas uma coisa \u00e9 certa: o estilo de vida consumista, esta \u00faltima excresc\u00eancia da religi\u00e3o fan\u00e1tica, a cultura industrialista global, que j\u00e1 conseguiu o que o Cristianismo, Islamismo e Comunismo n\u00e3o conseguiram, conquistar a Humanidade toda, este estilo de vida n\u00e3o pode ser extrapolado por mais meio s\u00e9culo. At\u00e9 l\u00e1, ou aprendemos a nos enquadrar nas leis da Vida, ou ela nos punir\u00e1 severamente.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Sou daqueles que se v\u00eaem obrigados a viajar quase constantemente, por terra e por ar. No avi\u00e3o, sempre cuido em obter bom lugar de janela. Observo atentamente a geologia, os ecossistemas e biomas, a &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;. Com meus setenta anos de idade, tenho uns sessenta de observa\u00e7\u00e3o intensiva, refletida. Ultimamente, no Brasil, quando comparo o que hoje vejo com o que via anos e d\u00e9cadas atr\u00e1s, me assusto. Fico pensando, se os cento e cinq\u00fcenta milh\u00f5es de brasileiros fazem e continuam fazendo os estragos que agora se constatam, como ser\u00e1 daqui a trinta ou quarenta anos quando formos trezentos milh\u00f5es? Mas o Brasil n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Nos cinco continentes, o que chamamos &#8220;progresso&#8221; ou &#8220;desenvolvimento&#8221; tornou-se um processo cada dia mais eficiente de demoli\u00e7\u00e3o de todos os sistemas de suporte de vida e de desestrutura\u00e7\u00e3o social.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Uns vinte por cento da Humanidade, a maioria nos pa\u00edses do chamado Primeiro Mundo e uma minoria nos demais, depende de uma movimenta\u00e7\u00e3o cada vez mais acelerada de recursos finitos e praticam rapina cada vez mais brutal nos sistemas renov\u00e1veis, a ponto de torn\u00e1-los finitos tamb\u00e9m. As florestas tropicais \u00famidas na \u00c1sia Sudoriental, nas Filipinas, Indon\u00e9sia, Nova Guin\u00e9, Austr\u00e1lia, na \u00c1frica, est\u00e3o chegando ao fim. Nas florestas temperadas \u00famidas na costa norte do Pac\u00edfico, na Am\u00e9rica do Norte, avan\u00e7a r\u00e1pido o corte raso sobre os \u00faltimos cinco por cento de mata pr\u00edstina. Na costa sul do Chile e na Terra do Fogo inicia-se agora processo semelhante, por\u00e9m mais vand\u00e1lico ainda. As florestas boreais na Sib\u00e9ria e no Alasca tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o sendo atacadas ferozmente. Todos os demais grandes sistemas naturais, Cerrado, Savana, Agreste, Mata Atl\u00e2ntica, Restinga, Pampa, Pradaria, Estepe, Caatinga, todas as florestas subtropicais, os banhados e pantanais, quando j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o seriamente devastados, est\u00e3o agora sob s\u00e9ria amea\u00e7a. Demolimos montanhas, barramos rios, inundamos imensos vales, afogando florestas virgens ou preciosos solos agr\u00edcolas. A pesca insaci\u00e1vel, agora com equipamentos eletr\u00f4nicos cada vez mais eficientes, que n\u00e3o deixam escapar um peixe sequer num enorme cardume, est\u00e1 depauperando os oceanos. A polui\u00e7\u00e3o contamina terra, mar e ar. J\u00e1 somos mais de 5,7 bilh\u00f5es, e a cada ano se acrescentam mais de cem milh\u00f5es. Mas, a cada ano tamb\u00e9m, milh\u00f5es de hectares de terras antes f\u00e9rteis s\u00e3o degradados pelos m\u00e9todos imediatistas da agricultura moderna ou pela primitiva agricultura de rapina &#8211; eros\u00e3o, perda de h\u00famus, contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, destrui\u00e7\u00e3o da microvida; desertifica\u00e7\u00e3o acelerada, esgotamento dos aq\u00fc\u00edferos f\u00f3sseis que n\u00e3o t\u00eam reposi\u00e7\u00e3o.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Socialmente, o desastre n\u00e3o \u00e9 menor. Todas as estruturas sociais que cresceram e se organizaram historicamente, que eram est\u00e1veis, que davam \u00e0s pessoas identidade, seguran\u00e7a e sentimento de aconchego, de significado e calor humano, quer se trate de culturas camponesas, de artes\u00e3os em estrutura familiar, pescadores artesanais, ou dos \u00faltimos habitantes das \u00faltimas selvas, isto \u00e9, dos povos abor\u00edgines e ind\u00edgenas, de seringueiros e caboclos, quilombos, ou dos \u00faltimos n\u00f4mades no Kalahari ou no \u00c1rtico, todos est\u00e3o sendo desmoralizados, alienados, marginalizados. Para compreender o que est\u00e1 acontecendo, basta observar de perto a Cidade do M\u00e9xico com seus mais de vinte milh\u00f5es de habitantes ou a prolifera\u00e7\u00e3o de favelas em todas as partes do Mundo.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Dos quase seis bilh\u00f5es que somos, uns tr\u00eas bilh\u00f5es ainda vivem em ambiente rural, com estruturas sociais mais ou menos est\u00e1veis. Se mais um bilh\u00e3o tiver que juntar-se \u00e0s massas de deserdados que j\u00e1 incham todas as pequenas, m\u00e9dias e grandes cidades no Terceiro Mundo e nas gigantescas conurba\u00e7\u00f5es j\u00e1 quase incontrol\u00e1veis, se isto acontecer, e \u00e9 quase inevit\u00e1vel que aconte\u00e7a, ningu\u00e9m mais poder\u00e1 prever e conter as convuls\u00f5es, migra\u00e7\u00f5es, conflitos e guerras que vir\u00e3o. O levante dos \u00edndios camponeses de Chiapas, no M\u00e9xico, \u00e9 um pequeno come\u00e7o e aug\u00fario. Mas o neoliberalismo e, agora, a globaliza\u00e7\u00e3o da economia, v\u00e3o acelerar ainda mais o processo em marcha.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Dividimos o Mundo em pa\u00edses ricos e pobres. Poucos se d\u00e3o conta de que os pobres n\u00e3o eram pobres. Sua atual mis\u00e9ria \u00e9 conseq\u00fc\u00eancia do que chamamos desenvolvimento.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Nas classes abastadas da cultura industrial, as pessoas est\u00e3o eticamente cada vez mais desorientadas. Cresce a inseguran\u00e7a, a criminalidade, o desespero e a aliena\u00e7\u00e3o, aumenta a corrup\u00e7\u00e3o e a incapacidade dos governos em arcar com os problemas. Al\u00e9m de contribuir para maior devasta\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria no Terceiro Mundo, a globaliza\u00e7\u00e3o, assim como est\u00e1 hoje concebida, aumentar\u00e1 e j\u00e1 est\u00e1 aumentando o desemprego no Primeiro Mundo, pois um de seus alvos expressos \u00e9 demolir conquistas sociais pela exporta\u00e7\u00e3o de empregos.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >N\u00e3o obstante a clara visibilidade das graves conseq\u00fc\u00eancias das pol\u00edticas econ\u00f4micas atuais, a doutrina predominante, imposta pelas transnacionais e cegamente obedecida pela grande maioria dos governos, pretende estender at\u00e9 o mais remoto rinc\u00e3o o industrialismo e consumismo desenfreados.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >A economia global \u00e9 hoje um processo exponencial. Ele tem retroa\u00e7\u00e3o positiva. Pregar que necessitamos de mais crescimento para obtermos os meios de que necessitamos para reparar os estragos causados pelo desenvolvimento passado \u00e9 como pedir mais neve e mais encosta para a bola de neve que j\u00e1 est\u00e1 se transformando em avalanche. Vejamos uma met\u00e1fora que ilustra nossa situa\u00e7\u00e3o:<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Uma col\u00f4nia de pulg\u00f5es sobre um tomateiro, crescendo exponencialmente, vai duplicando em n\u00fameros &#8211; dez, vinte, quarenta&#8230; mil, dois mil, quatro mil&#8230; Inicialmente, desde o ponto de vista do pulg\u00e3o, uma situa\u00e7\u00e3o muito linda. Mas, invariavelmente, chega o momento em que a planta n\u00e3o ag\u00fcenta mais, morre. \u00c9 o fim, tamb\u00e9m, do pulg\u00e3o. Nossa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior, crescemos em n\u00fameros e aumentamos de maneira mais r\u00e1pida ainda nosso impacto ambiental. \u00c9 como se o pulg\u00e3o, al\u00e9m de se tornar cada vez mais numeroso, ficasse tamb\u00e9m sempre mais gordo, com apetite cada vez mais voraz.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Se n\u00e3o houver mudan\u00e7a de rumo, de enfoques, de cosmovis\u00e3o, o colapso est\u00e1 programado. Temos que repensar. Teremos muita sorte se vier uma sucess\u00e3o de colapsos parciais, menores, n\u00e3o um s\u00f3 grande. Este poderia significar o fim da Civiliza\u00e7\u00e3o. Colapsos menores permitir\u00e3o ainda a tomada de novas decis\u00f5es fundamentais.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Vejamos os poss\u00edveis colapsos:<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; color: rgb(153, 51, 153);\"><!--[if !supportLists]--><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-family:Symbol;font-size:130%;\"  ><span style=\"\">\u00b7<span style=\"\">         <\/span><\/span><\/span><!--[endif]--><span style=\"font-size:130%;\"><b><span style=\"\">Finan\u00e7as<\/span><\/b><\/span><span style=\";font-size:130%;\" > &#8211; Somas fabulosas, da ordem de trilh\u00f5es de d\u00f3lares por dia, circulam com a velocidade da luz, saltando de mercado a mercado em volta do globo. Um dinheiro ultra-especulativo que j\u00e1 praticamente n\u00e3o tem mais liga\u00e7\u00e3o com fatores concretos. Em grande parte se trata dos chamados &#8220;derivativos&#8221;, que s\u00e3o apostas sobre apostas sobre apostas, uma especula\u00e7\u00e3o abstrata, totalmente absurda. Os governos n\u00e3o t\u00eam o m\u00ednimo controle. A l\u00f3gica \u00e9 comandada pelos algoritmos nos computadores. Os pr\u00f3prios operadores podem, a qualquer momento, perder o controle. Entre eles predominam indiv\u00edduos ambiciosos, inescrupulosos. Quando vier o colapso, estar\u00e1 desencadeada uma crise econ\u00f4mica mais grave e, certamente, mais duradoura que a de 1929. Bilh\u00f5es de pessoas perder\u00e3o suas economias ou seu poder aquisitivo.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; color: rgb(153, 51, 153);\"><!--[if !supportLists]--><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-family:Symbol;font-size:130%;\"  ><span style=\"\">\u00b7<span style=\"\">         <\/span><\/span><\/span><!--[endif]--><span style=\"font-size:130%;\"><b><span style=\"\">Energia<\/span><\/b><\/span><span style=\";font-size:130%;\" > &#8211; Quanto mais tempo for mantido artificialmente baixo o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, mais violenta ser\u00e1 a pr\u00f3xima crise, quando o petr\u00f3leo come\u00e7ar a escassear de verdade. O mundo n\u00e3o est\u00e1 se preparando para esta crise. A pesquisa, o desenvolvimento e aplica\u00e7\u00e3o das alternativas solares indefinidamente sustent\u00e1veis avan\u00e7am a passo de lesma, enquanto aumenta c\u00e9lere o consumo de petr\u00f3leo. No Brasil, continuamos apostando na rodovia para a quase totalidade de nosso transporte. O que acontecer\u00e1 numa megal\u00f3pole como S\u00e3o Paulo, quando o petr\u00f3leo triplicar ou quintuplicar de pre\u00e7o? Na ind\u00fastria, as tecnologias continuam esbanjando energia. Uma s\u00f3 lata de alum\u00ednio para cerveja ou refrigerantes, em sua fabrica\u00e7\u00e3o consome mil e quatrocentos Watt\/hora, a quantidade de energia el\u00e9trica que uma l\u00e2mpada de cem Watt consome em quatorze horas. Isto, sem falar na demoli\u00e7\u00e3o de montanhas em Caraj\u00e1s, perda de quase cem mil hectares de floresta ao longo da ferrovia, inunda\u00e7\u00e3o de tr\u00eas mil quil\u00f4metros quadrados de floresta intata em Tucuru\u00ed.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; color: rgb(153, 51, 153);\"><!--[if !supportLists]--><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-family:Symbol;font-size:130%;\"  ><span style=\"\">\u00b7<span style=\"\">         <\/span><\/span><\/span><!--[endif]--><span style=\"font-size:130%;\"><b><span style=\"\">Agricultura<\/span><\/b><\/span><span style=\";font-size:130%;\" > &#8211; Os m\u00e9todos da agricultura moderna vivem \u00e0s custas da produtividade futura, seus insumos s\u00e3o todos recursos n\u00e3o renov\u00e1veis e os renov\u00e1veis est\u00e3o sendo consumidos em vez de desfrutados. A produ\u00e7\u00e3o de carne e ovos em esquema de confinamento, com alimenta\u00e7\u00e3o subtra\u00edda do consumo humano, contribui para o problema da fome. Galinhas, porcos e at\u00e9 gado, s\u00e3o hoje alimentados com gr\u00e3os cultivados especialmente para este fim ou com tapioca ou torta de palma importados da \u00c1sia e \u00c1frica. No Rio Grande do Sul destru\u00edmos toda a floresta subtropical \u00famida do Vale do Uruguai para exportar soja para alimentar vacas e porcos na Europa. Se, na \u00cdndia, houve quebra-quebra de estabelecimentos tipo McDonald&#8217;s, \u00e9 por isso. Se somente os chineses partirem para o tipo de produ\u00e7\u00e3o de carne que predomina no Primeiro Mundo, teremos logo uma tremenda crise no abastecimento e pre\u00e7o dos cereais.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; color: rgb(153, 51, 153);\"><!--[if !supportLists]--><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-family:Symbol;font-size:130%;\"  ><span style=\"\">\u00b7<span style=\"\">         <\/span><\/span><\/span><!--[endif]--><span style=\"font-size:130%;\"><b><span style=\"\">Epidemias<\/span><\/b><\/span><span style=\";font-size:130%;\" > &#8211; At\u00e9 recentemente, pens\u00e1vamos que j\u00e1 existia um controle total das enfermidades infecciosas, que sobrariam somente as degenerativas. Mas, junto com estas, est\u00e1 havendo agora nova prolifera\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as infecciosas, e nunca estivemos t\u00e3o suscet\u00edveis a elas como hoje. Os agentes pat\u00f3genos viajam livremente com milh\u00f5es de pessoas em avi\u00f5es atravessando continentes e oceanos. Se o v\u00edrus da AIDS fosse menos complicado em sua transmiss\u00e3o, se fosse como o v\u00edrus da gripe&#8230;.! Por outro lado, estamos todos, ricos e pobres, mal alimentados. Uns comem demais e comem alimento desnaturado, mal equilibrado, contaminado com res\u00edduos de agrot\u00f3xicos e com aditivos, os outros comem de menos ou morrem de fome. Isso tudo, mais a contamina\u00e7\u00e3o geral do ambiente em que vivemos e a falta de paz de esp\u00edrito &#8211; quem n\u00e3o sofre hoje de stress, frusta\u00e7\u00e3o, desespero? &#8211; afeta o sistema imunol\u00f3gico. As epidemias v\u00e3o voltar. Talvez n\u00e3o da maneira como eram as grandes epidemias no passado, que matavam milh\u00f5es de pessoas de vez, mas na forma de uma degrada\u00e7\u00e3o crescente da sa\u00fade p\u00fablica. Por outro lado, o custo da medicina, com seus enfoques tecnol\u00f3gicos, j\u00e1 est\u00e1 se tornando t\u00e3o caro que os sistemas de seguro de sa\u00fade se aproximam todos da insolv\u00eancia.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; color: rgb(153, 51, 153);\"><!--[if !supportLists]--><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-family:Symbol;font-size:130%;\"  ><span style=\"\">\u00b7<span style=\"\">         <\/span><\/span><\/span><!--[endif]--><span style=\"font-size:130%;\"><b><span style=\"\">Clima<\/span><\/b><\/span><span style=\";font-size:130%;\" > &#8211; A moderna sociedade industrial est\u00e1 interferindo em todos os mecanismos de controle do clima: g\u00e1s carb\u00f4nico, camada de oz\u00f4nio, aeross\u00f3is, poeiras e fuma\u00e7as, albedo, florestas e demais biomas. Apesar das solenes promessas na Eco &#8217;92 no Rio de Janeiro, os governos n\u00e3o est\u00e3o partindo para a\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, concreta. A China, com sua popula\u00e7\u00e3o de 1,2 bilh\u00f5es de pessoas, pretende ainda instalar uma fant\u00e1stica capacidade de fornalhas para gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. Os capit\u00e3es da ind\u00fastria automobil\u00edstica agem como se acreditassem que seria poss\u00edvel dar \u00e0 Humanidade inteira a densidade de carros particulares que existe nos Estados Unidos (dois ou mais por fam\u00edlia), isto, com carros produzidos de acordo com a filosofia da obsolesc\u00eancia planejada, com absurdo esbanjamento de recursos n\u00e3o renov\u00e1veis.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; color: rgb(153, 51, 153);\"><!--[if !supportLists]--><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-family:Symbol;font-size:130%;\"  ><span style=\"\">\u00b7<span style=\"\">         <\/span><\/span><\/span><!--[endif]--><span style=\"font-size:130%;\"><b><span style=\"\">Convuls\u00f5es Sociais<\/span><\/b><\/span><span style=\";font-size:130%;\" > &#8211; Como vimos, as crescentes complica\u00e7\u00f5es e calamidades desencadear\u00e3o conflitos, levantes, migra\u00e7\u00f5es em massa, guerras que, por sua vez, s\u00f3 poder\u00e3o aumentar a devasta\u00e7\u00e3o. Poss\u00edveis desequil\u00edbrios clim\u00e1ticos poder\u00e3o ter como conseq\u00fc\u00eancia que n\u00e3o mais tenhamos colheitas seguras, o que agravar\u00e1 ainda mais as convuls\u00f5es.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Possivelmente teremos, tamb\u00e9m, alguns ou muitos colapsos ainda imprevis\u00edveis, maiores ou menores.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >At\u00e9 aqui, a \u00eanfase est\u00e1 na situa\u00e7\u00e3o global. Vejamos agora a situa\u00e7\u00e3o do Brasil. Diante deste quadro, se n\u00e3o houver cat\u00e1strofe clim\u00e1tica planet\u00e1ria, o Brasil \u00e9, ainda, um espa\u00e7o privilegiado. Sobra muito para preservar e recuperar, temos ainda mais tempo que os demais para aprender. Se, acima, ao mencionar as florestas tropicais \u00famidas, n\u00e3o mencionamos a Amaz\u00f4nia, foi para mencion\u00e1-la aqui em contexto esperan\u00e7oso. Com toda a absurda devasta\u00e7\u00e3o que j\u00e1 houve, sobram ainda mais de 80%. No cora\u00e7\u00e3o da grande floresta, a maior do Planeta, no Estado de Amazonas, s\u00e3o mais de 95%.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Assim como os oceanos, a atmosfera, os rios e lagos, a Amaz\u00f4nia est\u00e1 entre os grandes sistemas essenciais para a bio-geo-fisiologia do Planeta Vivo &#8211; Gaia. O argumento de que &#8220;os outros derrubaram, deixem-nos fazer o mesmo&#8221; n\u00e3o procede. Vejamos outra met\u00e1fora: eu posso sobreviver &#8211; miseravelmente, \u00e9 claro &#8211; com a perda de um, v\u00e1rios ou todos os membros, sem audi\u00e7\u00e3o ou vis\u00e3o, mas n\u00e3o posso sobreviver a perda do cora\u00e7\u00e3o, dos rins, do pulm\u00e3o&#8230; No organismo de Gaia, a Amaz\u00f4nia, especialmente depois da devasta\u00e7\u00e3o j\u00e1 quase total das demais florestas tropicais \u00famidas, \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Portanto, que slogan absurdo: &#8220;ocupar para n\u00e3o entregar&#8221;! Acaso n\u00e3o temos a Amaz\u00f4nia mais do que ocupada? Ou queremos v\u00ea-la na situa\u00e7\u00e3o de Bangladesh que j\u00e1 foi floresta tropical \u00famida?<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Agora, novembro de 1996, nosso governo federal pretende punir com elevada carga tribut\u00e1ria as &#8220;terras improdutivas&#8221;. Quanto ecossistema intato, at\u00e9 ent\u00e3o nem sequer amea\u00e7ado, foi destru\u00eddo no passado recente devido a enfoques assim reducionistas do INCRA. Na Amaz\u00f4nia, um dos instrumentos dos grileiros de terras para justificar posse \u00e9 a derrubada de floresta, sem nenhum sentido produtivo ou social. Para o INCRA este tipo de devasta\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;benfeitoria&#8221;. Como pode um pa\u00eds que se diz s\u00e9rio permitir tamanho absurdo?<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Este tipo de vis\u00e3o ter\u00e1 que mudar. Hoje, preservar natureza intocada deve ser visto como altamente produtivo em termos de sobreviv\u00eancia da na\u00e7\u00e3o e de nossa esp\u00e9cie. Se ainda n\u00e3o nos encontramos em situa\u00e7\u00e3o de press\u00e3o demogr\u00e1fica como a da China ou da \u00cdndia, ou de falta de espa\u00e7o como na Holanda, que j\u00e1 tem 20% de seu territ\u00f3rio nacional coberto de constru\u00e7\u00f5es ou de pavimentos, longe de constituir-se em sinal de subdesenvolvimento e atraso, a nossa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o altamente vantajosa e desej\u00e1vel.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Assisti certa vez, n\u00e3o faz muito tempo, um governante nosso entonar a costumeira litania terceiro-mundista diante do Primeiro Ministro da \u00c1ustria: &#8220;\u00c9, porque nos somos um pa\u00eds pobre, necessitamos da ajuda dos pa\u00edses ricos, como voc\u00eas&#8221;. Tive que discordar. Disse, &#8220;N\u00f3s somos ricos, muito ricos, fantasticamente ricos. Com oito e meio milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, temos cem vezes mais territ\u00f3rio que a \u00c1ustria, que tem oitenta e quatro mil, metade montanhas cobertas de gelo. Temos recursos de toda sorte, minerais, solos agr\u00edcolas, enormes florestas, cerrados, restingas, praias intatas, espa\u00e7o, muito espa\u00e7o&#8230; Somos pobres, muito pobres, isto sim, em pol\u00edticos de vis\u00e3o&#8221;.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Sim, somos muito, muito ricos. Vamos aprender a desfrutar &#8211; n\u00e3o consumir &#8211; de maneira eficiente e sustent\u00e1vel o que j\u00e1 est\u00e1 desbravado. N\u00e3o precisamos destruir um hectare mais de selva intata. S\u00f3 na Amaz\u00f4nia, temos mais de quatrocentos mil quil\u00f4metros quadrados de terra desflorestada, uma \u00e1rea total do tamanho da Espanha, quase toda mal aproveitada, degradada ou mesmo abandonada. Em parte esta superf\u00edcie se est\u00e1 recuperando naturalmente, em parte continuamos a degrad\u00e1-la ainda mais. No resto do pa\u00eds a soma de \u00e1reas deste tipo \u00e9 ainda maior, somam muitas dezenas de milh\u00f5es de hectares. Al\u00ed sim, nos espera muito trabalho, trabalho significativo, entusiasmante para jovens e velhos idealistas.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Precisamos repensar &#8220;progresso&#8221;, &#8220;desenvolvimento&#8221;!<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >A atual medida de progresso, o PNB ou PIB (Produto Nacional Bruto ou Produto Interno Bruto), em termos de real progresso, no sentido de mais satisfa\u00e7\u00e3o, mais alegria de vida, mais felicidade, seguran\u00e7a, satisfa\u00e7\u00e3o para maior propor\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, num mundo humanamente mais significativo, mais sustent\u00e1vel, n\u00e3o mede absolutamente nada. Ele s\u00f3 mede fluxo de dinheiro, sem nada dizer sobre o que este fluxo causa de bom ou de mau. Nada nos diz sobre a real, a concreta riqueza nacional. Absolutamente nada nos diz sobre justi\u00e7a social. O PNB per capita, usado para comparar progresso entre pa\u00edses, \u00e9 apenas uma m\u00e9dia entre o que ganham os podres de rico e os que n\u00e3o tem o suficiente para se alimentar. O PNB s\u00f3 pode interessar a banqueiros com vis\u00e3o ultra-reducionista, desligada do mundo real.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Voltemos a Caraj\u00e1s: adicionar ao PNB brasileiro as divisas que ganhamos na exporta\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio e min\u00e9rio de ferro, sem descontar num balan\u00e7o nacional a demoli\u00e7\u00e3o da montanha, a perda da floresta, a perda do meio de vida do caboclo e do \u00edndio etc., etc&#8230;. \u00e9 como se, ap\u00f3s visitar a ag\u00eancia de meu banco, retirar dinheiro de minha conta e gast\u00e1-lo, me sentisse mais rico. De fato, estou mais pobre, a conta est\u00e1 menor.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Primeiro passo essencial, portanto, para um progresso real \u00e9 o de obrigar nossos administradores p\u00fablicos a nos apresentar balan\u00e7os reais, do tipo que faz o administrador de empresa para seus acionistas. Balan\u00e7os em que se somam, de um lado, todas as entradas, sim, mas do outro se descontam todas as sa\u00eddas, perdas, deprecia\u00e7\u00f5es.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Neste tipo de balan\u00e7o, o estoque de riqueza nacional &#8211; da real, da concreta, objetiva riqueza nacional &#8211; n\u00e3o ter\u00e1 que ser necessariamente contabilizado em termos monet\u00e1rios, mas em termos de hectares de solos agr\u00edcolas f\u00e9rteis ou degradados, capazes de recupera\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o (a que custo?), de quil\u00f4metros quadrados de florestas, intatas, parcial ou totalmente devastadas, em recupera\u00e7\u00e3o natural ou em reflorestamento, etc. Ter\u00e3o que aparecer as toneladas de min\u00e9rios ainda existentes, os barris de petr\u00f3leo ainda dispon\u00edveis, e assim por diante. Ter\u00e3o que entrar, tamb\u00e9m, crit\u00e9rios qualitativos, como explora\u00e7\u00e3o irrecuper\u00e1vel ou reciclabilidade, fatores subjetivos, como beleza de paisagem, pureza das \u00e1guas e do ar, contentamento, sa\u00fade, expectativa de vida, seguran\u00e7a, emprego, qualidade de vida em termos de cultura, recrea\u00e7\u00e3o, moradia e muita coisa mais.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Se este tipo de balan\u00e7o fosse feito na situa\u00e7\u00e3o atual, todos verificariam que, a cada dia, estamos empobrecendo, n\u00e3o enriquecendo e progredindo, como nos querem fazer crer nossos governos. Uma real democracia s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com este tipo de conta.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Precisamos repensar tamb\u00e9m a tecnologia. Poucos, especialmente entre os pol\u00edticos, se d\u00e3o conta de que predominam hoje aquelas tecnologias que concentram poder nas grandes infra-estruturas tecno-burocr\u00e1tico-legislativas, n\u00e3o tecnologias concebidas simplesmente para atender reais necessidades humanas, da maneira mais simples, mais barata, mais acess\u00edvel, ecologicamente mais compat\u00edvel e socialmente mais desej\u00e1vel.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Da\u00ed que teremos que repensar &#8211; energia, transporte, agricultura, moradia, processos de produ\u00e7\u00e3o e comportamento de consumo e, antes de mais nada, o sistema de educa\u00e7\u00e3o &#8211; da fam\u00edlia ao jardim de inf\u00e2ncia, prim\u00e1rio, secund\u00e1rio, universit\u00e1rio e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Hoje, este esquema est\u00e1 a servi\u00e7o dos poderes estabelecidos e a maior parte deste esquema cabe aos meios de comunica\u00e7\u00e3o, especialmente \u00e0 TV, que est\u00e1 fazendo o que previa Aldous Huxley em seu livro &#8220;Admir\u00e1vel Mundo Novo&#8221; (Brave New World), onde os poderosos dominam pela desinforma\u00e7\u00e3o, bo\u00e7aliza\u00e7\u00e3o e incitamento a um estilo de vida hedon\u00edstico-orgi\u00e1stico. Mas a TV, a Internet e todo este fant\u00e1stico aparato de comunica\u00e7\u00e3o global instant\u00e2nea, poderiam tamb\u00e9m ser usados para uma educa\u00e7\u00e3o real, para uma reformula\u00e7\u00e3o de nossa cosmovis\u00e3o e comportamento.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Um instrumento fant\u00e1stico, bem mais f\u00e1cil de implementar imediatamente, seria um imposto \u00fanico, cobrado na fonte, s\u00f3 sobre a energia e o uso de mat\u00e9rias primas. Ele promoveria logo tecnologias bem mais inteligentes, como, entre muitas outras coisas que aqui n\u00e3o cabe detalhar, uma economia solar: solar direto t\u00e9rmico, solar direto fotovoltaico; biomassa em combust\u00e3o direta, em pir\u00f3lise ou biog\u00e1s; vento, hidr\u00e1ulico &#8211; tudo em esquema totalmente descentralizado. Para n\u00f3s, este potencial \u00e9 t\u00e3o fant\u00e1stico que n\u00e3o precisamos pensar em tecnologias mais complicadas e caras, como mar\u00e9s e vagas. Promoveria tamb\u00e9m o uso racional, frugal e reciclado de mat\u00e9rias primas finitas, simplificaria radicalmente a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, promoveria emprego, n\u00e3o capital, seria, portanto, socialmente bem mais justo que o atual sistema que, em termos de justi\u00e7a social \u00e9 uma grande mentira. Ele promoveria um comportamento bem mais s\u00e1bio que o que predomina hoje.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Estes primeiros passos levariam automaticamente a um in\u00edcio de nova consci\u00eancia e reorienta\u00e7\u00e3o de nossa cultura industrial, que deixaria de ser suicida.<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\";font-size:130%;\" >Quero dedicar os anos que me sobram a este trabalho fundamental. Como gostaria de ver o Brasil, este precioso peda\u00e7o de Gaia em que tive a sorte de nascer, transformar-se no ber\u00e7o deste renascimento cultural de nossa esp\u00e9cie e da recupera\u00e7\u00e3o do Grande Processo Criativo. Como seriam exaltantes as observa\u00e7\u00f5es em minhas imagin\u00e1rias visitas futuras!<\/span><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" > <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: rgb(153, 51, 153);\"><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);font-size:130%;\" >&#8211;<span style=\"color: rgb(153, 51, 153);\"> Jose A. Lutzemberger \u2013 Novembro de 1996.<\/span><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p>  <span style=\"color: rgb(153, 51, 153);font-size:130%;\" >&#8211; http:\/\/www.fgaia.org.br\/<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(148, 54, 52);\"><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Sempre tive uma admira\u00e7\u00e3o pelo Professor Lutzemberger j\u00e1 nos anos 60. Eu era ainda adolescente e cultivava uma admira\u00e7\u00e3o por esse Cidad\u00e3o do Mundo. 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