{"id":215,"date":"2009-04-10T21:19:00","date_gmt":"2009-04-10T21:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/2009\/04\/10\/calabar-traidor-ou-heroi\/"},"modified":"2009-04-10T21:19:00","modified_gmt":"2009-04-10T21:19:00","slug":"calabar-traidor-ou-heroi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vincit3.com.br\/index.php\/2009\/04\/10\/calabar-traidor-ou-heroi\/","title":{"rendered":"CALABAR TRAIDOR OU HER\u00d3I?"},"content":{"rendered":"<p style=\"margin: 0pt 0pt 0.0001pt 191.35pt; text-align: justify; line-height: normal;\"><strong><em>\u201cO conhecimento \u00e9 um processo e, portanto, a verdade tamb\u00e9m o \u00e9\u201d. Adan Schaff (1913-2006), fil\u00f3sofo polon\u00eas<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"margin: 0pt 0pt 0.0001pt 191.35pt; text-align: justify; line-height: normal;\"><strong><em><br \/><\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; O nome de FERNANDES CALABAR sempre esteve ligado \u00e0 id\u00e9ia de trai\u00e7\u00e3o desde o per\u00edodo em que teve a consci\u00eancia de que era melhor lutar do lado dos holandeses (1630-1654) do que permanecer do lado da Uni\u00e3o Ib\u00e9rica (Portugal e Espanha). N\u00e3o podemos nos esquecer que o atual Estado brasileiro foi uma col\u00f4nia da Espanha[1] por 60 anos, ou seja, de 1580 a 1640.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; Ser\u00e1 que realmente esse senhor mesti\u00e7o, que desconhecia quem era o seu genitor, com uma boa educa\u00e7\u00e3o ministrada pelos jesu\u00edtas, que era dono de engenhos de a\u00e7\u00facar e descriminado pelos brancos portugueses pela cor da sua pele pode ser chamado de traidor?<span> <\/span>Gra\u00e7as \u00e0 possibilidade de revis\u00e3o de documentos hist\u00f3ricos e fatos hist\u00f3ricos recentemente revelados essa vis\u00e3o de que ele seria um traidor vem sendo revista. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; Atualmente com a possibilidade de estarmos vivendo dentro de um regime democr\u00e1tica livre, sem a interfer\u00eancia de um Estado ditatorial[2], hoje se pode revisar documentos, fatos hist\u00f3ricos e analisar novos vest\u00edgios desse per\u00edodo mal contado da nossa Hist\u00f3ria sem press\u00f5es corporativas ou, pelo menos, bem mais atenuadas. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; Nesse sentido, muitos revisionistas j\u00e1 consideram O Major Fernandes Calabar como um verdadeiro her\u00f3i[3] pela perspic\u00e1cia de ter tido a consci\u00eancia de que o territ\u00f3rio colonial desde o ano de 1500 d.C., o qual um dia seria o atual Estado brasileiro, sempre tinha sido explorado pelos portugueses com muita opress\u00e3o e dentro desse tempo por seis d\u00e9cadas pela Uni\u00e3o Ib\u00e9rica, ou seja, de 1580 d.C a 1640 d.C., quando Portugal foi anexado a Espanha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; No per\u00edodo do Senhor Calabar, os impostos eram escorchantes e, diga-se de passagem, at\u00e9 hoje os impostos s\u00e3o elevados e o retorno um tanto duvidoso pelos efeitos da corrup\u00e7\u00e3o. Nesse per\u00edodo colonial, as viagens eram controladas, quando n\u00e3o proibidas pelos portugueses. Havia a proibi\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de tecidos, a educa\u00e7\u00e3o escolar n\u00e3o existia, proibiam o com\u00e9rcio com os estrangeiros. Profiss\u00f5es ligadas a arte aplicada e a posse de livros eram severamente proibidos, com exce\u00e7\u00e3o dos livros religiosos cat\u00f3licos, pois ajudavam na manuten\u00e7\u00e3o do controle social e manuten\u00e7\u00e3o de um senso comum sobre o povo da \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; Al\u00e9m do mais, apenas a religi\u00e3o Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana era permitida na col\u00f4nia, a qual adotava terr\u00edveis castigos para os acusados de heresia. O medo da inquisi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica e das suas t\u00e9cnicas de torturas mantinha o povo calado e submisso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; Para os historiadores revisionistas, com o advento das invas\u00f5es holandesas e a fixa\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio holand\u00eas, Calabar e outros colonos mesti\u00e7os, bem como muitos \u00edndios e \u201ccrist\u00e3os novos\u201d (judeus convertidos compulsoriamente ao catolicismo romano), viram que com a presen\u00e7a dos holandeses os padr\u00f5es de justi\u00e7a, liberdade religiosa, melhorias acentuadas nas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais deram um salto gigantesco. O dom\u00ednio portugu\u00eas da \u00e9poca, atrelado com a Espanha, jamais iria permitir tal desenvolvimento sob o seu comando. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; Por esta linha, alguns pesquisadores[4] tentam lan\u00e7ar mais luz nos motivos que levaram Calabar e outros colonos a passar para o lado dos holandeses. Quais seriam as reais motiva\u00e7\u00f5es? Seriam religiosas, econ\u00f4micas ou o surgimento de uma manifesta\u00e7\u00e3o de patriotismo dos aut\u00f3ctones? V\u00e1rios documentos lan\u00e7am luz nesses emaranhados de interesses, dos quais muitos s\u00e3o favor\u00e1veis a Calabar. Est\u00e3o a ensejar a possibilidade de que se comece a mudar a id\u00e9ia da acusa\u00e7\u00e3o de trai\u00e7\u00e3o divulgada pelos opressores portugueses da Uni\u00e3o Ib\u00e9rica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; O certo \u00e9 que os holandeses trouxeram, para as regi\u00f5es por eles ocupadas, o desenvolvimento econ\u00f4mico, a liberdade religiosa, permitiram o surgimento de escolas fundamentais, possibilitaram a vinda de homens de ci\u00eancia[5], urbanizaram Recife, constru\u00edram pontes e obras sanit\u00e1rias. Estenderam v\u00e1rios benef\u00edcios para outras regi\u00f5es. Para os aut\u00f3ctones que ousavam ter um racioc\u00ednio cr\u00edtico era imposs\u00edvel n\u00e3o ver as melhorias e n\u00e3o precisariam ser muito inteligentes para saber em qual dos lados se deveria ficar e lutar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; Conv\u00e9m ressaltar que existiram traidores que n\u00e3o foram t\u00e3o escorchados como Calabar, por terem muito prestigio e conhecimento. Entre esses traidores temos o nome do padre jesu\u00edta Manoel de Moraes, \u201c<em>estrela de uma longa constela\u00e7\u00e3o de traidores\u201d[6], <\/em>o qual cometeu diversos atos de trai\u00e7\u00e3o mais infames do que aquele atribu\u00eddo a Calabar, mas sempre acabava escapando das puni\u00e7\u00f5es, inclusive da pr\u00f3pria inquisi\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >&#8211; Pelos dados j\u00e1 coletados e revisados dever\u00e1 haver algumas mudan\u00e7as substanciais na continua\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da vis\u00e3o de Calabar como traidor. Obviamente os historiadores levaram em conta as interpreta\u00e7\u00f5es feitas em d\u00e9cadas passadas e de quem as elaborou. A partir de uma analise criteriosa, esses pesquisadores revisionistas, estar\u00e3o formulando novas verdades isentas de paix\u00f5es para prevalecer \u00e0 vers\u00e3o mais correta. <\/span><\/p>\n<div style=\"padding: 0pt 0pt 1pt;\">\n<p style=\"border: medium none ; padding: 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" >Sendo assim, talvez o mesti\u00e7o aut\u00f3ctone Fernandes Calabar esteja muito mais pr\u00f3ximo da imagem de um her\u00f3i do que a de um reles traidor. <\/span><\/p>\n<p style=\"border: medium none ; padding: 0pt; text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 115%;font-size:130%;\" > \u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014\u2014<br \/><\/span><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size:100%;\">[1] GOMES, Rafael. <strong>Hist\u00f3ria pode revelar um novo Brasil<\/strong>. Dispon\u00edvel em <<a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/esp_bra_historia.htm\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 0);\">http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/esp_bra\u00ad_historia.htm<\/span><\/a>>. Acessado em 08 mar 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size:100%;\">[2]<\/span><span style=\";font-family:&quot;;font-size:100%;\"  > <\/span><span style=\"font-size:100%;\">A pe\u00e7a <strong>\u201cCalabar \u2013 Elogia de uma trai\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong> de Chico Buarque de Hollanda e Ruy Guerra foi proibida em 1973 pelo governo militar, mas liberada em 1980 ( Veja, 14\/05\/1980, PP 60 ss).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size:100%;\">[3] LUNA, Mozart. <strong>Calabar, her\u00f3i desconhecido completa 370 anos da sua morte<\/strong>. Dispon\u00edvel em <<a href=\"http:\/\/www.maragogi.tur.br\/noticia_calabar.htm\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 0);\">http:\/\/www.maragogi.tur.br\/noticia_calabar.htm<\/span><\/a>>. Acessado em 17 mar 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size:100%;\">[4] SCHALKWIJK, Frans Leonard. <strong>Por que, Calabar? O motivo da trai\u00e7\u00e3o<\/strong>. Dispon\u00edvel em <<a href=\"http:\/\/www.thirdmill.org\/files\/portuguese\/47093~9_18_01_4-13-56_PM~calabar.htm\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 0);\">http:\/\/www.thirdmill.org\/files\/portuguese\/47093~9_18_01_4-13-56_PM~calabar.htm<\/span><\/a>>. Acessado em 15 mar 2009.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;\"><span style=\"font-size:100%;\">[5] FIGUEIRA, Divalte Garcia. <strong>Hist\u00f3ria<\/strong>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2002, p. 166<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size:100%;\">[6] HAAG, Carlos. <strong>O dilema eterno da trai\u00e7\u00e3o<\/strong>. Dispon\u00edvel em <http: br=\"\" art=\"3615&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=\"><\/http:><\/span><span style=\"font-size:100%;\"><<a href=\"http:\/\/www.revistapesquisa.fapesp.br\/?art=3615&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=\"><http: br=\"\" art=\"3615&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=\">http:\/\/www.revistapesquisa.fapesp.br\/?art=3615&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=<\/http:><\/a><\/span><span style=\"font-size:100%;\">><\/span><span style=\"font-size:100%;\"><http: br=\"\" art=\"3615&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=\">. Acessado em 15 mar 2009.<\/http:><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO conhecimento \u00e9 um processo e, portanto, a verdade tamb\u00e9m o \u00e9\u201d. 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